Economia, Fiscalidade

Os optimistas e os pessimistas

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Os optimistas e os pessimistas

Um amigo meu costuma dizer que o Mundo está dividido em dois tipos de pessoas: os optimistas e os pessimistas. Segundo ele, são os optimistas que fazem avançar a humanidade, mas são os pessimistas que evitam que esse avanço conduza ao precipício.

Vem isto a propósito das recentes notícias sobre o desempenho positivo da economia portuguesa. Efetivamente, não há como nega-lo. Os indicadores oficiais confirmam-no. Senão vejamos…

Segundo dados recentemente divulgados pelo INE, a economia cresceu 2,8% no 1º trimestre de 2017, face ao período homólogo, o valor mais elevado dos últimos 10 anos. Para este resultado, contribuíram sobretudo o aumento das exportações e do investimento, o que sublinha o potencial sustentável deste crescimento.

Por seu lado, dados recentes sobre o Desemprego apontam para uma taxa de 10,1%, o valor mais baixo desde 2009. Também as insolvências caíram 20% no primeiro trimestre deste ano. A venda de imóveis tem vindo a aumentar, tendo obtido o valor mais elevado no passado mês de Março (maior crescimento dos últimos sete anos). O Índice de Confiança dos Consumidores regista os valores mais altos desde 2000. Os Portos bateram recordes no 1º trimestre. As receitas do Turismo subiram 13%. O défice das contas públicas situa-se nos 2,1%, o valor mais baixo nos 43 anos de democracia.

Isto demonstra que está tudo bem? Que todos os problemas do país estão resolvidos? Claro que não. Os dados do 1º trimestre de 2017 são positivos (surpreendentemente positivos, até), representam um ótimo sinal, mas não invalidam alguma cautela. Os desafios da nossa economia são muitos, e os perigos estão à espreita.

Desde logo, a dívida. Portugal continua no pelotão da frente das economias mais endividadas, com a dívida a pesar 130% do PIB. Este nível de endividamento coloca Portugal numa posição muito sensível, pois sublinha a nossa dependência do exterior, nomeadamente das possíveis oscilações das taxas de juro.

Sabemos bem que, sem Investimento não existe crescimento sustentado, e o valor do mesmo está, ainda, muito abaixo do que seria recomendável. Tendo por base o ano 2000, estamos atualmente cerca de 34% abaixo do registado nesse ano, enquanto que a Zona Euro registou 11% de crescimento, e nos E.U.A. verificamos uma subida de 22%.

O sistema bancário português vive ainda dias difíceis, com naturais reflexos na (in)capacidade de financiamento da economia. O crédito malparado dos bancos portugueses é dos mais elevados da União Europeia (19,5% contra 5,1% de média na U.E. – percentagem do malparado sobre o crédito total).

Os desafios não se ficam obviamente por aqui. As reformas estruturais continuam por executar. O peso do Estado na economia é ainda excessivo, e a elevada carga fiscal é uma das consequências mais visíveis, e simultaneamente mais penalizadoras do nosso crescimento. A imprevisibilidade fiscal e a ineficácia da Justiça são também dois problemas estruturais que tardam em ser resolvidos, e que ameaçam claramente a nossa competitividade.

Como em tudo na vida, a virtude está no equilíbrio. Não significa isto que esse equilíbrio deva estar exatamente a meio entre os dois extremos (optimista e pessimista). Tenho para mim, sendo tendencialmente optimista, que o cozinhado perfeito deve conter uma porção maior de optimismo, com uma pitada de pessimismo à mistura, o que certamente conferirá o realismo ideal ao resultado final.

 

Até breve!

Marco Libório

CEO da UWU Solutions / Consultor / Docente 

blog@marcoliborio.me

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