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As lições empresariais do Salvador

As lições empresariais do Salvador

As lições empresariais do Salvador

Foi o Euro 2016, e agora a Eurovisão. Está escrito: todas as competições cujo nome comece por “Euro” são ganhas por Portugal. Não damos qualquer hipótese.

Na recente edição do Festival da Canção parecia que tínhamos regressado aos anos 80. Meio país parou à frente do televisor (a outra metade estava a festejar a vitória do Benfica no campeonato), torcendo pela vitória do Salvador. E não é que ganhou mesmo?! E não só ganhou, como arrasou com um recorde de pontos, tornando-se instantânea e meteoricamente um fenómeno nas redes sociais.

Depois das emoções daquela noite, e da recepção apoteótica no aeroporto, importa meditarmos sobre a vitória dos manos Sobral.

Antes de mais, porque ganhou o Salvador de forma tão avassaladora? Do meu ponto de vista, por duas razões essenciais.

Desde logo porque houve a coragem de ser diferente. Muito diferente dos restantes concorrentes. Os competidores apostaram todos na fórmula “quanto mais foguetório melhor”, para além da maioria cantar em inglês. O Salvador “apenas” cantou muito bem uma ótima canção, e na sua língua materna.

Depois, porque não se ficou pela diferença. Primou pela qualidade. Foi melhor que todos os outros, quer na sua interpretação emotiva e desconcertante, quer pela própria canção, uma brilhante composição da Luísa Sobral.

Que ilações podemos nós tirar da vitória do Salvador para a gestão das nossas empresas?

A primeira é que a aposta na qualidade vale a pena. É minha convicção que, se a competição for “limpa”, quem é melhor ganha. É assim, também, no mundo empresarial. Os clientes procuram o melhor produto ou o melhor serviço, e se o mercado funcionar sem enviesamentos, os melhores produtos e os melhores serviços são os preferidos dos consumidores.

A segunda aponta para a confirmação de que inovar traz frutos. Perguntar-me-ão: a canção do Salvador inovou? Parece-me óbvio que sim. A participação portuguesa inovou claramente, ao seguir um caminho completamente diferente. Inovar não é apenas sinónimo de avanço tecnológico. Inovar é muito mais do que isso. É ver o que os restantes não veem. É identificar as oportunidades e tirar proveito das mesmas, antes mesmo dos outros terem percebido que existe ali uma oportunidade. Inovar verdadeiramente conjuga talento com genialidade. Arthur Schopenhauer, filósofo alemão do século XIX, tem uma frase brilhante a este propósito: “O talentoso atinge um alvo que ninguém consegue atingir. O genial atinge um alvo que ninguém consegue ver.”. O desafio nas nossas empresas é criar um ambiente e uma dinâmica internos propícios ao talento e à genialidade, que naturalmente conduzem à inovação, pois só dessa forma estaremos aptos a desenvolver propostas de valor adequadas às necessidades dos nossos clientes.

A terceira sublinha que o trabalho e a preparação recompensam. Como é costume dizer-se, “a sorte dá muito trabalho”. Os manos Sobral e a sua equipa puseram todo o seu empenho neste desafio, e colheram os frutos no final. A competição entre empresas é, hoje mais do que nunca, intensa e global. Vencer no mercado só é possível com uma aposta clara e incessante na melhoria contínua dos produtos/serviços. Sermos melhores dá trabalho, muito trabalho, e todos os dias. Basta olhar para alguns casos de sucesso internacional de empresas portuguesas, e facilmente chegamos a este denominador comum.

A quarta alerta-nos para o facto de que a autenticidade atrai. A interpretação do Salvador revelou autenticidade como nenhuma outra em disputa. Era visível que o Salvador sentia cada palavra do que cantava, o que emocionou toda a gente, ainda para mais tendo em conta que a maioria do público não entendia sequer o que ele dizia. Transportando esta questão para o mundo empresarial, consideremos o exemplo do Turismo, atividade de importância estratégica para o país. O que procura a maioria dos turistas que nos visitam, senão a autenticidade da nossa cultura, dos nossos costumes, das nossas gentes? Saibamos nós tirar proveito disto, ao oferecer um produto turístico com base nessas premissas, e não massificado.

A finalizar uma reflexão e uma confissão. Reflexão: provavelmente o Salvador salvou o próprio conceito da Eurovisão, tal foi o impacto da sua abordagem disruptiva. Confissão: tenho que confessar que me emocionei com a vitória do Salvador. A canção é de facto muito bonita, a interpretação excecional, e ganhar foi a “cereja no topo do bolo”. E você, conseguiu evitar uma lagrimazita? Vá lá, confesse…

 

Até breve!

Marco Libório

CEO da UWU Solutions / Consultor / Docente 

blog@marcoliborio.me

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