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A mota de água

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A mota de água

Vivemos dias de temperaturas altas, anormalmente altas para a época do ano. Parece que o Verão chegou mais cedo, e nada melhor que uma mota de água para disfrutar em pleno numa das nossas maravilhosas praias.

Não. Eu não vou escrever um artigo sobre motas de água, fique o leitor descansado. O tema poderá ter o seu interesse, mas eu vou apenas debruçar-me sobre uma mota de água em particular…

Nuno Vasconcellos era, até há uns tempos atrás, considerado uma empresário-modelo da nossa sociedade. Visto como um empresário de sucesso, líder do grupo Ongoing, esteve envolvido em vários negócios mediáticos, entre os quais a tentativa de compra da Media Capital (que detém, por exemplo, a TVI). Recorde-se que a Ongoing chegou a ser um dos maiores acionistas da Portugal Telecom e da Impresa (dona do Expresso e da SIC). Também o Diário Económico, que encerrou de forma algo turbulenta, era propriedade da Ongoing.

Os tempos mais recentes não tem corrido de feição a Nuno Vasconcellos. Em agosto de 2016, a Ongoing foi declarada falida, com uma dívida acumulada de mais de 1,2 mil milhões de euros (dos quais 800 milhões têm como credores o Novo Banco e o BCP). A holding da família Rocha dos Santos, detida maioritariamente pela mãe de Nuno Vasconcellos foi também à falência. Mais recentemente, em janeiro deste ano, Nuno Vasconcellos foi também declarado insolvente em termos pessoais.

Recentemente, o jornal Expresso noticiou que o BCP tentou cobrar uma dívida de 9,7 milhões de euros do empresário, e que apenas terá encontrado uma mota de água. Caricato, no mínimo…

Nada me move em particular contra o empresário Nuno Vasconcellos. Mas revolta-me ver situações destas que, no fim, acabam por ser pagas por todos nós. Senão vejamos: casos como este criaram os “buracos” nos Bancos, a que pomposamente agora chamamos de “imparidades” (uma nota para o estimado leitor: quando ouvir falar em “imparidades”, já sabe que lhe vai calhar pagar uma parte a si). Essas imparidades têm sido cobertas por quem? Pelo Estado, na sua grande maioria. E qual é a forma do Estado fazer face a esses milhões de perdas? Aumentando impostos. Ora, é aqui que entramos todos nós.

Do meu ponto de vista, não se trata de uma discussão ideológica (embora politicamente a mesma seja levada, compreensivelmente, nesse sentido). É, sim, uma discussão entre justiça igual para todos, ou tratamento desigual, em função das relações privilegiadas que se tem (ou não se tem).

Enquanto cidadãos, temos o dever de exigir que a justiça portuguesa seja implacável com os responsáveis deste gigantesco problema que, atualmente, assola o nosso sistema financeiro, e que resultou de péssimas práticas de gestão, nomeadamente o crédito concedido sem as devidas garantias, e que tão caro nos está a sair enquanto sociedade.

Bem, mas nem tudo é mau. Pelo menos temos uma mota de água para “curtir” este verão.

Até breve!

Marco Libório

CEO da UWU Solutions / Consultor / Docente

blog@marcoliborio.me

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