Atualidade, História

Restauração da Independência… e dos feriados

Veloso Salgado - A aclamação de D. João IV

Veloso Salgado – A aclamação de D. João IV

Estas primeiras semanas de dezembro são marcadas pelos feriados. O dia 1 de dezembro celebra a Restauração da Independência, e o dia 8 é um feriado religioso que assinala a Imaculada Conceição. Vejamos sucintamente a origem do primeiro.

A morte de D. Sebastião, na batalha de Alcácer-Quibir, conduz a uma crise de sucessão, já que o jovem rei não terá deixado descendência. Após algumas tentativas de manter a independência do reino, a partir de 1580, Filipe II de Espanha torna-se também Filipe I de Portugal, oficializando a União Ibérica. 60 anos depois, no dia 1 de dezembro de 1640, dá-se o fim da União Ibérica e da Dinastia Filipina, restaurando-se a independência de Portugal, marcando simultaneamente o início da Dinastia de Bragança, com a aclamação de D. João IV como rei de Portugal.

O Governo anterior, no âmbito da aplicação do programa da Troika, decidiu retirar 4 feriados: 2 religiosos (o Corpo de Deus, que se celebra 60 dias após a Páscoa; e o Dia de Todos-os-Santos a 1 de novembro) e 2 civis (Implantação da República, a 5 de outubro; e a Restauração da Independência, a 1 de dezembro). O atual Governo decidiu repô-los. Na minha opinião bem.

Muito se tem discutido nos últimos anos sobre o impacto económico dos feriados. Se por um lado esse impacto é, de certa forma desconhecido, por outro considero que teremos que analisar esta questão numa perspetiva mais alargada, que não se reduza apenas ao prisma económico.

Efetivamente não é fácil quantificar o efeito económico da abolição dos feriados. Obviamente que, ao aumentarmos as horas de trabalho anuais, reduzimos marginalmente o custo/hora dos trabalhadores (assumindo a manutenção do valor salarial). No entanto, é relativamente consensual entre os economistas que o impacto da abolição de alguns feriados não é facilmente mensurável.

Relativamente à forma como encaramos os feriados, nomeadamente os civis que foram agora recuperados, parece-me muito redutora a perspetiva economicista. Enquanto país temos uma história longa, cheia de acontecimentos interessantes, dos quais os mais importantes devem ser recordados. Considero que, tanto a Restauração da Independência como a Implantação da República, são datas marcantes da história portuguesa, e moldam de alguma forma o país que somos hoje.

Sou daqueles que defende que, para compreendermos o presente e projetarmos o futuro, importa desde logo conhecer bem o passado. Os feriados referidos têm uma função essencial de dar relevo aos respetivos acontecimentos, passando de geração em geração a relevância dos mesmos para a nossa história coletiva. É, na minha perspetiva, uma forma de cimentar a nossa sociedade enquanto nação, que partilha uma história comum, representando uma verdadeira comunidade.

A finalizar, uma curiosidade: os reis de Espanha estiveram recentemente em visita oficial a Portugal. Pelo que se observou, a visita correu muito bem, e reforçou os laços entre os dois países (por exemplo, vão ser retomadas as cimeiras luso-espanholas). O rei Filipe VI terminou a sua visita ao nosso país no dia 30 de novembro, um dia antes da comemoração do fim da Dinastia Filipina em Portugal… os tempos mudaram, e ainda bem.

 

Até breve!

Marco Libório

CEO da UWU Solutions / Consultor / Docente 

blog@marcoliborio.me

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