Economia

Porque descem os preços do petróleo?

Porque descem os preços do petróleo?

Porque descem os preços do petróleo?

O ano 2016 arrancou com os preços do petróleo a desceram significativamente. O impacto desta baixa de preços tem-se feito sentir em toda a economia mundial, com especial ênfase nos países mais dependentes do crude (Angola é um bom exemplo). Sendo visíveis as consequências, considero relevante compreender as razões que levam ao atual fenómeno de queda dos preços do petróleo.

A principal razão justificativa da queda dos preços é simples: existe atualmente um excesso de oferta no mercado. Efetivamente, temos um consumo mundial de 90 milhões de barris de crude por dia, mas a oferta atual excede esse valor em cerca de 3 milhões de barris. No entanto, existem outros fatores que influenciam o preço do crude, e que inclusivamente podem agravar esta situação.

A desaceleração económica de países como a China e a India tem obviamente um impacto importante. Por outro lado, também o regresso do Irão ao mercado tenderá a aumentar a oferta. Importa notar que aquele país é uma superpotência energética, pois possui as terceiras reservas de petróleo e gás combinadas, sendo que 75% das mesmas estão ainda por produzir.

A atual disputa pela hegemonia regional entre o Irão e a Arábia Saudita poderia, potencialmente, ser mais um fator de agravamento da descida do petróleo. No entanto, tal não acontece devido ao excesso de produção. Tendencialmente, as tensões geopolíticas têm um efeito imediato no preço do crude quando o mercado está em situação de equilíbrio entre a oferta e a procura, o que não se verifica neste momento. Para além disso, os mercados petrolíferos assentam sobretudo na negociação de futuros. Estamos a falar de transacionar e valorizar expetativas. Para que se tenha uma ideia mais concreta, as transações de contratos de futuros rondam os 1000 milhões por dia, um montante 10 vezes superior ao valor dos barris produzidos diariamente.

Por seu lado, e quase sem se dar por isso, os EUA ressurgem como grande potência energética. A chamada revolução do “shale gas” e do “shale oil” transformou os Estados Unidos no maior produtor de gás do mundo, e num dos maiores produtores mundiais de petróleo. Assim, os EUA passarão progressivamente de grande importador para um exportador de petróleo. A própria relevância da OPEP, que tem controlado o mercado petrolífero desde a sua criação em 1960, pode estar em causa.

Considerando todos estes fatores, os analistas preveem que 2016 será ainda um ano de preços baixos. É expetável que só em 2017 a tendência se altere, embora o grau de incerteza destas previsões ainda seja grande.

Para além de todos estas variáveis internacionais, para nós portugueses há sempre um fator interno que influencia muito o preço dos combustíveis: a carga fiscal.

De facto, o governo português está visivelmente atento à queda recente do preço do petróleo, e respetivo impacto na economia portuguesa, pelo que já anunciou uma subida da tributação dos combustíveis. Esta decisão demonstra claramente uma preocupação com os cidadãos e as empresas, pois dessa forma o governo previne que nos habituemos a pagar pouco na hora de abastecermos o carro.

Estes nossos líderes estão sempre na linha da frente da salvaguarda do superior interesse do país e dos seus cidadãos. Bem-hajam, meus caros governantes, por nos protegerem de tamanho vício dos preços baixos!

Até breve!

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CEO da UWU Solutions / Consultor / Docente 

blog@marcoliborio.me

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2 thoughts on “Porque descem os preços do petróleo?

  1. Pelo que li fiquei com a impressão que a grande alavanca para a descida do preço do petróleo tem sido mesmo a “guerra” económica entre os Estados Unidos e os Emirados Árabes Unidos, ou seja, os EUA com o “Shale Gas” não só conseguiram uma fonte de energia mais barata (ou pelo menos era) que o petróleo como também se transformaram, como referes, de importadores para exportadores de petróleo. Do ponto de vista ambiental, área que em toca, parece que o “Shale Gas”, tal como o petróleo, têm impactos muito significativos no ambiente mas isso seria outro post :).

    • Bom dia Miguel. Obrigado pelo teu comentário. A tua análise parece-me correta. De facto os EUA desempenham atualmente um papel chave, fruto da sua boa estratégia. Vamos ver como evoluem os preços nos próximos tempos, tendo em conta também que as economias emergentes estão a passar uma crise profunda (veja-se o caso do Brasil). Um abraço.

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